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Amo gatos!

Desmanchando os Dramas

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terça-feira, 16 de março de 2010

E...que quantidade de fio é preciso...? (PARA A RECLAMANTE)

Olá, amigas amigas triconeteiras!

Hoje resolvi sanar uma dúvida que estou devendo para uma visitante do blog e que também me rendeu uma crítica: como calcular a quantidade de linha ou lã para os trabalhos.
A visitante me mandou um e-mail dizendo que a quantidade de lã que eu indiquei era pouca, sendo que ela tinha comprado exatamente o que eu informei. Aconteceu que,  faltando pouco para o término do trabalho (dela), não tinha mais a mesma partida...(muxoxo...)

Bom, este cálculo, todas as tricoteiras e crocheteiras concordam:  NÃO É EXATO. Depende...

DESABAFO:
E...???...Cara de ponto de interrogação. Risos. Sinceramente!!! É minha culpa minha que faltou fio? Não.
Informo meus pareceres, minhas experiências e minhas conclusões. E... também não sei de tudo. Aliás acho que sou bastante limitada no que diz respeito a fios. Compro sempre os mesmos fios! Gostaria de saber mais e, acreditem, TENTO a cada dia saber mais, pesquisando nos sites dos fabricantes, nos blogs e nas comunidades de tricô do orkut. Fico com os olhos e sensibilidade bem abertos a cada ponto meu, tentando perceber tudo: composição, tensão, aparência, quantidade, cuidados... Confesso que esta percepção mais completa é recente, aconteceu depois que entrei para a faculdade de Conservação. Assim que percebi que tudo isto é importante, iniciei uma anotação minuciosa, já que sou bem esquecida. Faço isto para DIVIDIR o que aprendi e sei com vocês, mas também porque quero suas impressões...Tipo: pesquisa, sabem? Quero me especializar na conservação de têxteis...Então, o blog virou uma relação de troca. Eu informo o que sei e vocês me devolvem informações preciosas. Combinado?

INDEPENDÊNCIA:
Gurias, vocês têm que entender que tudo é dependente de tudo no tricô e no crochê... Não é culpa do fabricante, nem do fio, nem da vendedora e, muito menos minha!!! O trabalho é manual, por favor!... É a mesma coisa que faltar gás de cozinha na hora de fazer o almoço...risos... Dá raiva, mas terminou e não é culpa de ninguém.
Receitas são para serem seguidas e-xa-ta-men-te, senão devemos concordar em ASSUMIR riscos...Falo isso porque a "reclamante" utilizou uma agulha diferente (mais fina) daquela que eu indiquei. Não posso dizer com 100% de certeza que foi isso que implicou na falta do fio...Depende...
No mais, luto bravamente pela nossa independização das receitas. Não que isto signifique algo de mais valor, mas porque qualquer coisa que fizermos diferente vai resultar em um "THE END" diferente mesmo...Então, melhor utilizar os modelos como inspiração e exercitar a criatividade. Já nem me lembro mais quando foi que segui uma receita completamente. Olho, vou fazendo, vou decidindo... puxando pelo raciocínio quando é preciso. Muitas vezes erro, desmancho e refaço. Infelizmente, muitas vezes, só me dou conta do erro quando está no nível da costura. Odeio desmanchar, mas se não sigo a receita, assumo o risco.
"São ossos do ofício".

ENTÃO...
Voltando ao que interessa, que é o cálculo da quantidade de fio para tricô e crochê...

COMO EU CALCULO A QUANTIDADE DE FIO PARA MEUS TRABALHOS:

  1. Tenho sempre mente aquilo que aprendi com minha mãe e, também por percepções próprias. Desde já, devo elucidar que o que aprendi com minha mãe é uma herança; uma tradição de geração a geração. Estas informações, pelo que sei, não existe em livros e revistas, são experiências passadas pelas mulheres da família, mas que se conversares com as vendedoras e outras artesãs vais perceber que há um senso comum nestas informações que coloco abaixo.

  2. A espessura de fio é determinante: mais grosso, menos fio; mais fino, mais fio. O quanto de fio? Não sei, depende do modelo, do manequim, da agulha, da "mão da artesã"...Depende de tudo.

  3. Modelos: nem precisaria, mas...modelos complexos com drapeados, golões, mangas abertas, trapézio (tudo aquilo que não é justo ao corpo) levam mais fio, né? O comprimento e largura  dos modelos interfere e-nor-me-men-te. Siga a intuição e compre sempre mais fio. Melhor sobrar a mesma partida, e depois fazer outra coisa com o resto de lã, ou ainda tentar trocar, que ter que desmanchar porque faltou fio. Cavas, leve acinturamento e recortes que sejam justos não interferem muito na quantidade de fio.

  4. Manequim: também não precisaria, mas...tamanhos maiores levam mais fio. Como se faz a equivalência? Não me interesso muito por isto, já que faço tricô e crochê só para mim mesma (TAM:42/44). Quando preciso de um tamanho maior faço por um blusão modelo, blusa, ou qualquer coisa. Comparo, calculo e tá...Prometo pesquisar sobre este tema.

  5. Agulhas: agulhas mais grossas, menos fio; agulhas mais finas, mais fio. O quanto isto modifica? Bastante, mas também é dependente da mão da artesã, de como ela trabalha com determinada agulha. Como solucionar isto? Troque a agulha, dentro daquilo indicado no rótulo. Pode se usar agulhas mais grossas, isto está na moda, economiza fio, mas atente que a malha perde em resistência.

  6. Perceba o resultado de sua malha, seu ponto em si: ponto frouxo menos fio; ponto denso, mais fio. Cada artesã tem um modo de trabalhar: passa o fio pelo pescoço, enrola nos dedos, agulhas por baixo dos braços, por cima...assim por diante. Perceba se seu humor altera sua malha de um dia para o outro. É engraçado, mas já perceberam que isto acontece? Acreditem: isto determina o resultado e é o VALOR de uma peça manual exclusiva. Exclusividade implica em: O MEU É DIFERENTE DO TEU. Logo, se eu usei  tal quantidade de fio; tu pode usar uma quantidade semelhante, mas não igual. Solução: não economize. Compre fio sempre a mais.

  7. Uma comparação aproximada bem útil: um blusão de tricô, fio mediano, liso (ex: Família da Pingouin, que é bem conhecido) utilizando sempre agulhas indicadas no rótulo, TAM 42, trabalho em malha (frente m, avesso t), tensão firme (tenho ponto firme e parelho), sem troca de cor, barras 1x1 ou 2x2 nos punhos, quadriz e gola normal... Resumindo: um blusão simples, nestas condições, leva A-PRO-XI-MA-DA-MEN-TE 500g de fio (para mim), com direito a sobrar fio para a costura. Mas, qualquer coisa que modificar (incluindo erro do fabricante) e tendo em mente aquilo que escrevi acima, implica em mais ou menos fio. Questão de lógica, sensatez e intuição.

  8. A técnica de tricô: Percebam minha lógica: se a malha de tricô acima mensionada leva 500g, um blusão do mesmo comprimento, mas de técnica rendada plana, leva menos que 500g. Porquê? Simplesmente por que os espaços formados fazem com que o trabalho aumente rapidamente. Comprove: faça uma amostra de um tricô rendado, anote a quantidade de pontos e carreiras que usou. Depois faça outra amostra de ponto de malha nas mesmas condições, mesmos pontos, mesma quantidade de carreiras, mesma agulha, tudo... Depois desmanche as duas amostras e compare: uma destas vai levar mais fio e garanto que não é o rendada. Haverá uma sutil diferença que nestas amostra é pouca, mas que somada até o término da confecção do trabalho pode ser de mais de 10g de fio (ou mais). E, 10g de fio é o suficiente para fazer uma boa quantidade de carreiras. Bom... Continuando com comparações: barras inglesas 1x1, 2x2 e as técnicas que alternam o ponto t e ponto m na mesma carreira, incluindo tricô rendado gaitado, tranças e o tricô irlandês levará muito mais fio. Porquê? Não posso garantir, mas acho que quando mudamos o fio de lugar, aquele milímetro entre um ponto e outro, somado, dá uma diferença enorme até o final do trabalho. Quanto mais os pontos m e t se alternarem na mesma carreira, mais fio leva. O Jacquard faz muito tempo que não faço, mas o raciocínio é o mesmo: 500g no somatório de fios de cores diferentes para compor aquele blusão simples, sendo que o fundo precisa de mais fio que os desenhos. Perceba: quando trocamos de cor, fica um fio atrás, não fica? Logo, isto deixa o blusão mais grosso, mais quente... Isto significa mais espessura de malha (não é o fio) que...(subtende-se)... leva mais gramas. Então... mais gramas, um pouco mais de fio. Entendam a diferença:  a espessura do fio, no ponto, determina e aumenta largura, altura e espessura da malha; mas aquele fio atrás é determinante somente para a espessura de malha. Esta compreensão não fará muito diferença, pelo que me lembro, na hora de compor um jacquard, mas...é assim que EU raciocino e então, eu comprava um pouco a mais de fio.

  9. Crochê leva mais fio que tricô: é mais pesado, mais tenso, porque são várias laçadas para compor o ponto. Logo, esta característica dá a técnica mais resistência e rapidez na execução. E, lógico que crochê rendado rende mais na execução e na quantidade de fio (pelos variados espaços vazios) do que o crochê filè (que tem geralmente uma mesma padronagem de espaços vazios e preenchidos), também que o crochê denso (que não tem espaços vazios). E ainda: tudo aquilo que se mostrar em relevo vai levar mais fio.

  10. Desmanche: Um desmanche não significa nada em malhas recém tecidas ( se estamos tecendo, erramos, desmanchamos e fazemos de novo). O desmanche que importa, neste caso, é aquele que procede de modelo de longo uso e lavagens (principalmente de lã natural, por que ela feltra). Conselho de minha mãe: "Se foi desmanchado, não se completa ao agrado". Acredito cegamente nela, que tem a paciência de desmanchar modelos antigos, lavar  e espichar a lã em meadas, depois refazer o tricô. Claro que  há milênios ela está com o mesmo manequim. Eu, particularmente, não desmancho modelos. Imagina!!! Acho castigo ter que desmanchar erros na hora que estou tecendo...Tô fora! Tenho preguiça. A explicação disto é física e química: a lavagem altera o fio, encolhe em espessura e metragem (na lavagem do antigo modelo  e na lavagem da meada, depois do desmanche). Solução dela: reciclar em conjunto com outro fio.

  11. Por último: reze para que o fio comprado seja suficientemente exato, assim tu completa seu modelo sempre com a mesma partida e não acumula fios diversos como eu. Mas se sobrar, guarde, doe ou exercite sua criatividade compondo outras malhas.
Então reforço: O tricô não é uma técnica "exata". Depende...

"Además"...espero seus pareceres. É ótimo saber opiniões diversas. Para as que me seguem atentem aos meus recados e ao link de postagem (se fiz, se só mostro o modelo e modo de fazer, se a receita não é minha...).

Abreijos!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Mãos à obra com fio Tuti, da Santo Amaro. Alguém conhece?

Queridas amigas triconeteiras!
Iniciei outro trabalho (ainda bem que a vontade e a inspiração voltaram).
Iniciei a pelerine que está no link:
http://tramas100dramas.blogspot.com/2009/08/pelerine-para-gi.html
A receita não era como eu pensava, mas estou anotando tudo e logo faço um post bem explicadinho.
Por hora quero apenas caracterizar um fio novo que eu não conhecia, o Tuti, da Santo Amaro.


O fio é:
100% acrílico (apeluciado)
Agulhas tricô: 5 a 6
Agulha de crochê: 4
Novelo: 100g
Valor: R$ 6,50 (preço Pelotas/RS)

MINHA IMPRESSÃO:

Na execução do trabalho ele se mostra fácil e gostoso de tecer, de bom rendimento, não pesa e a malha resultante é macia e maleável.
Apesar de ser apeluciado a vendedora me garantiu que não teve nenhuma reclamação da formação de bolinhas, coisa que só verei depois, no uso e, lógico, contarei para vocês. No entanto já senti que esta característica de apeluciado dificulta o desmanche, pois os pelinhos se enrolam e formam um nózinho. 


"Además", abreijos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

As fibras


Dicas de como cuidar de suas peças em tricô:

1. Início
2. Um pouco da História da Indústria Têxtil
3. História do tricô e do tricô irlandês
4. Os tecidos
5. Os fios
6. As fibras
7. Lavagem á úmido 
8. Limpeza à seco
9. Cuidados especiais


Para entender os fios precisamos partir de sua matéria-prima, que podem ser fibras naturais ou químicas. Elas são diferentes em todos os sentidos.

As fibras naturais são de origem orgânica:
  
1.Vegetais: ex: cânhamo, algodão, linho,juta, sisal, etc. Note que estas fibras possuen ranhuras, porque são formadas de microfibrilas (parecida como a micrografia da morfologia interna do sisal), ou escamas que protegem uma cutícula. Esta característica lhes dá porosidade e fragilidade.

 
Fonto micrográfica de uma fibra de algodão. Microfibrilas muito unidas, torção natural.


Fotos micrográfias de uma fibra de sisal. Pequenas microfibrilas muito unidas formando escamas.
Foto de fios de juta.

2.Animais: pêlos de animais, que resultam em diversos tipos de lãs, a seda, etc. Choquei quando li que a seda da teia de aranha também é usada! Esta fibra é uma das matérias-primas usadas para a confecção de uma fibra sintética muito resistente, leve, e bem resistente, a kevlar, que é usada no fabrico de , raquetes de tênis, coletes e capacetes anti-balas. Bem resistente, não?


Foto micrográfica de uma fibra natural: lã.

Foto micrográfica de fibra natural: seda.

3.Minerais: Somente o amianto, que é uma fibra utilizada para roupas contra fogo, muito usado por bombeiros. No entanto, algumas fontes informam que está sendo proibida porque seu beneficiamento é tóxico.

Fibra de amianto.

As fibras químicas, surgiram após Revolução Industial e podem ser:

1.Artificiais: que são aquelas que partem de uma matéria-prima natural e são transformados pelo homem. Surgiram  daquela necessidade de (re)aproveitamento dos rejeitos da indústria. Por exemplo: o línter do algodão, filamentos muito finos junto a casca do fruto do algodoeiro, não aproveitados para a fiação do algodão. São subdivididas em fibras celulósicas, de origem vegetal, que são, por exemplo, a viscose e os acetatos; e as fibras proteínicas, de origem animal, onde o nylon é o maior exemplo.

Fibra de viscose.

Foto micrográfica da fibra artificial: nylon.

2.Sintéticas: são aqueles que se produz a partir de produtos químicos da indústria petroquímica. Ex: lycra, poliéster, poliamida, acrilan, elastano, etc. A tecnologia têxtil avança cada vez mais produzindo fios inteligentes e específicos para um determinado uso, como é o caso dos tecidos utilizados para os esportes.

Foto micrográfica de uma fibra sintética: tactel.
Fibras biomiméticas: funcionam como músculos.

E existem ainda as fibras inorgânicas:
Os exemplos mais comuns são a fibra cerâmica, de carbono, de vidro, a lã de escória e a fibras metálicas.

Fibra de vidro.

E, estes são apenas alguns exemplos...Os tecidos e os fios podem ser compostos de fibras da mesma origem ou serem mistos, numa combinação determinada por preferências, moda, conforto, uso, etc.
Depois de tudo isto, preciso me exibir (risos), quando eu fiz o poema ao lado eu estava completamente certa: o tricô é muito mais que fios entrelaçados, é um documento de um tempo, nosso tempo (nossos pensamentos, nossas formas de tricotar, de costurar, etc.), mas também do lugar e tempo em que vivemos (a matéria prima, seu modo de produção, costumes). Pensa bem: tu escolhes o que tu queres usar ( teu gosto, a moda da época, sexo, etc.) , e no uso, tu também deixa tuas impressões ali (teu cheiro, teu suor, tuas células, o formato do teu corpo, os cuidados). Isto é, quando no futuro estudarem nossas roupas, elas explicarão o costume desta época, podendo até definir, sob alguns aspectos, quem as usou.
Mas, vamos complicar um pouquinho mais... as informações do rótulo dos fios que compramos nem sempre são completas ou verdadeiras e, a olho nu, não podemos identificar se são verdades ou não. Recentemente tive a comprovação que nossas indústrias omitem as verdadeiras composições dos fios que compramos. Os trabalhos em lã (poncho, jaqueta, casacão, etc.) que expus aqui no blog, no rótulo do novelo dizia “lã pura-100%”, mas dentro do laboratório da faculdade fizemos o simples teste de queima do fio, com supervisão de um professor, e concluiu-se que era na verdade uma lã mista. Simples dedução: se após á queima o cheiro for de cabelo queimado, houver demora para queimar, com resto de cinzas, é lã pura; se tiver cheiro tiver plástico junto, a queima for mais rápida, e formar uma bolinha preta, lã mista (depentende da quantidade do percentual de pureza); se o fio queimar muito rápido, formar uma bolinha e depois pingar como plástico derretido, e cheiro de mesma característica, é um fio artificial ou sintético. Da mesma forma as linhas de verão, ok? E não vou dizer “não faça isso em casa” (risos) porque não explode, e para um adulto é simples.
Neste estudo outras questões foram levantadas, como por exemplo, a comparação das reações das fibras naturais rústicas com das industriais em relação a durabilidade, de onde se pode concluir que as primeiras são mais duráveis a longo prazo. Porquê? Porque são menos porosas (as microfibrilas estão muito unidas) que aquelas que receberam aditivos químicos.
Observe  as escamas que existem na lã, os produtos químicos, como sabões e detergentes, penetram ali e depois reagem com a composição química da fibra. As fibras do algodão são bem longas, bem unidas,  por isto são mais resistentes. Apesar disso, as microfibrilas podem se soltar com lavagens constantes, onde a porosidade da fibra vai aumentar e deixar exposta as camadas internas. Já as fibras sintéticas não tem escamas ou poros, elas são microtubinhos.  Veja as fotos:

Foto micrográfica de uma fibra mista: lã mista. Fibra sintética e de lã natural.

Foto micrográfica de um corte trasversal de fibras artificiais: thermastat. Sintéticos e artificiais são tubinhos.

O fato de que as fibras sintéticas e artificiais não possuírem porosidade não quer dizer que não não de degradem quimicamente. Elas são formadas por compostos retirados do petróleo que reagem rapidamente com a poluição do ar. Os aditivos químicos, pó, micro partículas orgânicas e microorganismos aderem à parede da fibra ou por entre as várias fibras, afetam a estabilidade do fio, inciando reações em cadeia que terminarão por degradar a matéria. E é a umidade desencadeia essas reações químicas e, tanto faz ser a umidade do ar ou da lavagem, o fim, a longo tempo será o mesmo.
E tem mais: sei que é nojento pensar nisso, mas há células humanas misturadas nos fios. Se o beneficiamento do fio for manual, há células de estranhos; na tecelagem do tricô, manual ou de maquinário, deixamos nossas células; nos abraços, células de nossos amores. Não há como evitar isto e, ...sinto dizer, ácaros comem células, podem romper algumas fibrinhas do fio, ou o seu excremento vai reagir com a matéria, podendo formar fungos.

Foto micrográfica de um ácaro.

Todos os microorganismos adoram cabelos, migalhas de comida, pó... Eca! Tá, péra ai...não vais colocar fora seus blusões...risos...
Além disto, o envelhecimento de qualquer fibra, fio ou tecido (e qualquer objeto) deve ser entendido também como a ação do tempo (temperatura e época) e incidência da luz. Se as fibras dos fios que usamos para cofeccionar nossas peças são fruto de nossa era, e por isso são frágeis e, ainda por cima sofrem lavagens contínuas, secagem ao sol, são passadas, tem uso descuidado, é claro que nossos casacões terão menor durabilidade. Isso favoresce a degradação química, o ataque de microorganismos e insetos, que adoram comer o que está fragilizado.
E, se não se pode evitar esta degradação química, a menos que  coloquemos nossos casacões em molduras (muito esterilizadas!), podemos fazer esforços para minimizar danos, não é?

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Os fios


Dicas de como cuidar de suas peças em tricô:

1. Início
2. Um pouco da História da Indústria Têxtil
3. História do tricô e do tricô irlandês
4. Os tecidos
5. Os fios
6. As fibras
7. Lavagem á úmido 
8. Limpeza à seco
9. Cuidados especiais

A fiação é o processo sofrido pelas fibras, que resultam em diferentes tipos e espessuras de fios. Um fio pode ser formado de filamento único (de diversas fibras, ou uma só) ou num conjunto de filamentos dispostos lado a lado que são submetidos à torção.  Fios únicos e texturizados, sem torção, são menos resistentes à ruptura.



A torção pode ser em "S" ou "Z", sendo que o número de voltas possíveis é determinada pela espessura e pelo comprimento dos filamentos. A espessura é dependente da quantidade de fibras dispostas lado a lado. A origem, a quantidade das fibras e a torção do fio são importantes para a permanência dos tecidos. São elas que determinam, por exemplo, a resistência à fricção de uma lavagem, ao calor (ferro elétrico), ao desfiamento, higroscopia (absorção da água), hidrofobia (repulsão da água), capacidade de evaporação (o que evita fungos), resiliência (capacidade de voltar ao estado de origem depois de sofrer uma deformação qualquer), resistência à ruptura, conforto ao uso (sensação tátil, quente ou fresco, etc.)...
Não é novidade para nenhuma de nós que existem muitos tipos de fios. Costumamos fazer a escolha dos fios pelo uso que a peça terá, pelo preço, pela cor, pela sensação tátil, por modernidade e pela aparência. Raciocinamos para a durabilidade mais para os fios de algodão, destinados a blusas de verão ou peças de uso doméstico. Nada de errado nisso. O fio de algodão é mesmo, dentre os fios naturais, o mais resistente à lavagem, tem boa fixação da cor, boa evaporação, pouco cede, não desfia com facilidade, pode ser passado, etc. Porém, este mesmo fio de algodão perde em elasticidade, perde em capacidade de aquecer, é muito higroscópico, etc. A lã natural, por exemplo, já não volta ao normal se for umedecida e/ou sofrer muitas fricções numa lavagem, por isso feltra; também demora a secar, por isto está sujeita aos mofos; desfia, por isso surgem bolinhas; não reage bem ao calor, o que resulta num "acetinamento"; e assim por diante. Os fios artificiais e sintéticos, tem outras possibilidades, às vezes vantajosas, às vezes não, frente as mesmas coisas. Em geral eles não podem ser passados, senão derretem; rapidamente secam, por que são hidrofóbicos (uns mais, outros menos); muitos não possuem conforto tátil ("pinicam" ou são ásperos, o que também é o caso da lã rústica); tem boa elasticidade, por isso são resistentes às trações e voltam ao normal; não desfiam e nem rompem com facilidade, porque são produzidos por extrusão de um fio contínuo; cedem bastante; e por ai vai... Só que não existe uma regra para tudo isto, as possibilidades variam bastante, por que tudo isto é dependente de diversos outros fatores, como por exemplo, defeitos de fabricação,  de regiões (pelo  clima, influenciando na evaporação) e da ação humana (intensidades e quantidades das lavagens, por exemplo). E, para saber de certeza como o fio se comporta, só dentro de um laboratório com uma bateria de testes que estão longe do alcance do consumidor.

Defeito num fio artificial. Este defeito influencia na durabilidade da peça.

Explicando: se fio escolhido para a confecção daquele lindo modelo da revista é composto de uma fibra que já é frágil em alguns aspectos, por suas próprias característias físicas, mecânicas e químicas, coisa que pode agravada pelos aditivos químicos que recebe durante seu beneficiamento, e ainda ter somado defeitos de fabricação, se não houver cuidados especiais, rapidamente ficará velho, desbotado, gandolento, poderá soltar fibras e pontos, formar bolinhas...Todas estas coisas desestabilizam a química das fibras e as tornam propensas ao ataque de insetos e fungos.  
Por outro lado, se o seu blusão é de uso quotidiano, deve ser lavado e arejado eventualmente. A gordura da pele, o pó e a poeira penetram por entre os fios e fibras, deixando a peça ainda mais frágil e atrativa aos insetos e mofos. O importante é ter bom senso e pesar os prós e contras de uma lavagem.
Reforçando: toda matéria está sujeita às deformações naturais do próprio envelhecimento, que pode ser apenas retardado com cuidados especiais, mas se houver descaso, o processo vai se agilizar. E, a menos que se ande "pelado que nem índio", melhor é cuidar naquilo que diz respeito ao uso, manuseio, limpeza e armazenagem adequados.

Os tecidos


Dicas de como cuidar de suas peças em tricô:

1. Início
2. Um pouco da História da Indústria Têxtil
3. História do tricô e do tricô irlandês
4. Os tecidos
5. Os fios
6. As fibras
7. Lavagem à úmido 
8. Limpeza à seco
9. Cuidados especiais





Os livros conceituam os tecidos como o resultado de um processo que parte de uma fibra  natural, sintética ou artificial, passam por  tecelagem manual (com ou sem instrumentos) ou de maquinário, resultando  numa estrutura plana e contínua. Ok?  Já te falei que também são têxteis as plumas, as penas e os couros, não é? Este conceito também deixa de lado os tecidos tubulares, que não são contínuos, e o "nosso" tricô manual, que é feito sob medida. Além disto, os têxteis não são só tramados, eles podem também ser prensados. São bons exemplos de tecidos prensados: a cortiça, o feltro e os tecidos não-tecidos (TNT). Estas compreensões também vão influenciar na resistência à lavagem dos tecidos. Tecidos tubulares, por exemplo, na secagem horizontal, formarão camada dupla e demorarão mais para secar. Já os tecidos prensados, na lavagem descuidada, podem perder algumas fibras porque sua união pode ser prejudicada.
Os tecidos tramados devem ser olhados no modo e na frequência do entrelaçamento dos fios. Algumas  tramas industriais resultam em desenhos e relevos diferentes que originam  as estruturas chamadas de tafetá, sarja e cetim. A partir destas três padronagens fundamentais, e conforme as fibras utilizadas, os tecidos se disferenciam em lisos, rugosos, felpudos, grossos, finos, porosas ou não, etc. Quando vamos a uma loja de tecidos na verdade escolhemos a trama, pois elas denominam a peça. Ex:  a malha, o brim, veludo, camurça, cambraia, feltro, etc., etc., etc.  (Para mim isso foi uma surpresa encantadora dentro dos estudos da conservação dos têxteis!).
Como toda a matéria, os tecidos possuem características físicas, determinadas por sua matéria-prima e seu modo de produção. Explico: o beneficiamento da fibra e o acabamento quase sempre utilizam aditivos químicos (para lavar, alvejar, tingir, etc.), que somam vantagens e desvantagens ao produto final. Um exemplo disso é a mercerização do algodão,que nada mais é que é um banho de soda caústica para conferir mais resistência e lustro às fibras. Os tecidos estampados, são outro exemplo, pois saem da tecelagem  com uma cor cinzenta e ásperos, passam por lavagem, para retirar as impurezas e suavizar, por alvejamento para branquear, posteriormente são tingidos na cor de fundo e têm impressos desenhos. Tudo isto são produtos químicos que influenciarão na permanência do tecido, porque eles penetram e reagem com as fibras e, então, lá dentro, bem lá dentro, se inicia reações em cadeia de degradação. Isso comprova que a industrialização, apesar de ter agilizado e possibilitado o surgimento de infinitos tecidos, nos trouxe a desvantagem da fragilidade do produto final.


Tecidos tem diferentes padronagens.

Porém, o processo manual de beneficiamento das fibras naturais e a produção artesanal de têxteis não está livre da degradação pelos mesmos motivos, e outros mais. Mesmo sendo resultado de beneficiamento rústico as fibras originais são alteradas, pois são lavadas, penteadas, soltas umas das outras, etc. O tricô, mesmo aqueles feitos à máquina, resulta em malhas extremamente porosas, pois cada cada ponto é bem visível, e, assim, se tornam frágeis. Comparando tricô à máquina com o manual com agulhas, o primeiro é mais resistente, pois as tensões são mais constantes; o tricô de dedo é a técnica menos resistente de todas porque as tensões são muito variáveis.  Dentro destas técnicas, as infinitas combinações de pontos formam também padronagens: lisas (ponto meia ou o seu avesso, ponto tricô), trançados, jacquards, rendados, irlandês, etc. Cada uma dessas padronagens possuem também diferentes tensões, por isso é melhor respeitar as agulhas que o rótulo indica. O fator humano, no tricô manual, faz com que as tensões variem dependo da motricidade fina e da disposição (não é verdade que lá no final do tricô o ponto é diferente?). Então, as malhas manuais perdem um pouco em uniformidade e, por conseguinte, em durabilidade. Quanto mais frouxo é o ponto, mais tensões distintas ele vai sofrer em diversos lugares da malha; quanto mais apertado é o ponto, a tensão vai ser uniforme e contínua, mas haverá fricção entre os fios e entre as fibras, que ao longo do tempo, poderão rebentar. O fio, agulhas e tensão adequados melhoram a aparência e a permanência da peça.
Se conclui, então, que os tecidos, manuais ou industriais, estão fadados ao envelhecimento, por características que não podem ser evitadas? Não, não podem. Vamos parar de fazer tricô por isso? Não, não vamos. O que se faz então? Se preserva, porque este envelhecimento natural pode ser retardado, com cuidados especiais.Tinhas pensado nisso? Eu não tinha. Sabe porquê? Por que eu sou nascida num tempo que as coisas são cada vez mais descartáveis.

Foto aproximada de uma malha industrial. Entre os pontos: as tensões uniformes do fio.